segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Queremos a paixao de volta
Os textos voltarão em breve. Peço desculpa por nao ter actualizado mais cedo.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Tudo... tem um começo

Era a primeira vez que ia á bola. Na verdade nem sabia bem o que era… a bola, visto que apenas tinha 5 anos de idade. Já jogava na escola, mas nunca imaginei como seria um estádio cheio como é normal. Lembro-me perfeitamente, era um Benfica Paços de Ferreira, quando um dos topos da velha luz estava já demolido, a imagem que me lembro melhor de ver no relvado é o Mantorras falhar um penálti. Mas vencemos o jogo, isso é que interessa.
Porém a imagem que tenho na mente com mais claridade é… o caminho para o estádio. Ia sozinho com o meu pai ver o jogo e parámos na sede dos DV na altura ainda era naquelas rampas antes do estádio… bons tempos. Sabia lá eu… o que eram as claques, os DV, o que era o futebol! No entanto quando entrei, bastante intrigado, tentei perceber o sitio onde estava.
- Onde estamos pai?
- Na sede dos Diabos Vermelhos, a claque do Benfica.
- O que é isso?
- É um grupo de adeptos que apoiam o nosso clube
- É para apoiar o Benfica que estão aqui?
- Sim é, é a missão das claques !
Lembro-me deste dialogo com uma clareza impressionante… como se tivesse sido agora mesmo. Não percebi ao certo o que era apoiar, era muito novo. Mas agradou-me a ideia.
Lembro-me daquele dia todo… Até me lembro mais ou menos dos diálogos que tive
-Quem são aqueles ? (digo já dentro do estádio, na central)
- São a claque que te falei, os Diabos !
- E aqueles ali?
- Aqueles são outra claque também filho. São os No Name Boys.
- Cantam muito alto !
-É isso que é preciso para dar força ao Benfica!
- Porque e que so eles e que cantam? Há tanta gente aqui, porque não canta toda a gente?
- Porque a maior parte das pessoas… não gosta das claques, e não gosta de apoiar como elas !
- Mas eles ajudam o Benfica !
- Sim , mas as pessoas são assim, não gostam das claques
Neste momento , bastantes pessoas olharam de lado para nós, mas eu continuei a fazer as minhas perguntas de puto
-Mas porque não gostam?
- Dizem que as claques so trazem problemas… e tomam-nas como um bando de marginais
- Mas isso não faz sentido , apoiar não é um problema !
Pouco depois, golo do Benfica. Estádio ao rubro, até que toda a gente começa a cantar “Slb slb glorioso slb” e aí fiquei ainda mais intrigado. Pensei que as pessoas não gostassem de claques. Sim porque para mim, as claques eram só… cânticos, bandeiras e “coisas fixes” para apoiar o meu clube.
- Agora estão todos a cantar! Porque?
- Quando é golo as pessoas esquecem-se disso e acompanham as claques!
- Ainda bem! Slb, slb….
Mas o jogo não correu bem… e sofremos o golo do empate. Começa a fase em que toda a gente começa a assobiar. No entanto, os ultras do Benfica, embora com menos motivação, continuavam a cantar.
- Porque toda a gente está a assobiar?
-Porque o Benfica está a jogar mal
- Mas as claques não param de cantar
- É uma forma de ver a bola diferente. Eles cantam nem que estejamos a ser goleados !
- Devia ser assim toda a gente
- Pois devia.
- Que bandeiras enormes ! Dá para usar uma assim?
Era… a bandeira com o símbolo dos Diabos bastante conhecida, hoje quase não se ve nos estádios, apenas fora.
Com apenas 5 anos de idade ficara fascinado com tudo aquilo. Para ser sincero, passei mais tempo a olhar para as claques do que para o jogo. Não conseguia parar de pensar como era espectacular aquele entusiasmo de ver o futebol. De pensar em cantar pelo Benfica todo o jogo, aliás, todo o ano! Até que… disse a frase mais importante da minha vida no caminho para casa. Recordarei esse momento para toda a vida!
-Pai
-Diz filho
-Quando for grande quero estar na claque !
PS: Quero aproveitar para agradecer, se não for muito lamechas, ao meu pai, que me apoiou e ajudou a ser um verdadeiro Ultra. Obrigado
terça-feira, 2 de agosto de 2011
O jogo, o tifo e a tocha - Historia ficticia
Esta historia é fictícia e não retrata pessoas nem acontecimentos reais
Recebo uma chamada no meu telemóvel. É o Paulo do meu grupo que me pergunta a que horas nos encontramos no estádio. Hoje é o grande jogo. Aquele com que pensámos toda a temporada. Tantos planos que foram feitos, e tantos preparativos, e de repente chegou a hora de ir para o estádio.
Tinha idealizado vários tifos. Parece que adormeço melhor a faze-lo. Na minha secretária estão montes de papel amarrotados com rabiscos de coreografias que me lembrei muito mal desenhadas. Mesmo assim, ainda dava para perceber a ideia… e como ficaria, mais ou menos, na curva, no calor do jogo.
Depois de discutir estas ideias, e de muito papel rabiscado e canetas sem tinta, tínhamos chegado a um consenso : faríamos um tifo simples com o sinal de transito de “Sentido Obrigatório” por cima da curva. Por cima do sinal gigante estaria uma faixa que diria “Campeões Nacionais” e por baixo do tifo estaria uma faixa a dizer “Sentido Obrigatório”. E seriam acendidas bastantes tochas. Nada de especial, é certo, nada de deslumbrante, mas metemos mãos obra. Um pintava, outro comprava o material, outros mandavam “bitaites” de como deveria ser feito.
Quando vou a caminho do estádio vou a pensar nos cânticos que vamos cantar o jogo todo. E como não consigo resistir, vou a cantar a viagem toda, como um doido, sozinho no meu carro. O jogo é em casa o que me dá uma expectactiva ainda maior e esperanças de ganhar o jogo e claro, de dar espectáculo na nossa bancada.
Quando chego ao estádio lá está o Paulo, a conversar com a malta. Cumprimentamo-nos e dirigimo-nos para a sede da claque. Lá, bebemos umas cervejas e falamos de futebol , da actualidade ultra, de politica, enfim de tudo, mas sobretudo do grande jogo que se realiza hoje. Rimo-nos, convivemos, somos ultras mas acima de tudo, amigos de longa data. Vou remexendo no meu estandarte e melhorando o nó do meu cachecol enquanto a ansiedade me aperta o estômago. Falamos dos tempos antigos, dos tempos modernos...
Poucos minutos faltam para começar a grande partida. Preparamos tudo para levar , o tifo, que é enorme, as frases e escondemos as tochas. Colocamos tudo dentro de um tambor e vamos para a nossa porta. Alguns de nós levam bombas de fumo pequenas o suficiente para esconder nos boxers. Outros levam petardos escondidos nos ténis. Ninguem ali tem medo de ser “apanhado” numa revista.
Dentro da bancada o meu coração começa a bater rapidamente quando a minha equipa entra em campo e ouço um grito ao megafone que diz para levantarmos o tifo, aquele tifo que desenhei á pressa numa folha e que passei semanas a pintar com o meu grupo. Um petardo acorda-me, e pelos vistos acorda toda a claque, visto que se ouve agora um cântico imponente na curva.
Baixo o meu estandarte e agarro no tifo com um orgulho imenso. O que eram rabiscos , tornou-se numa imagem que ficará conhecida e será vista por milhares de pessoas. Milhares de ultras. Quando o tifo cai no chão olho para a curva da claque visitante. É um vicio que tenho , gosto de analisar também o meu adversário. A curva deles está bem composta, e trazem também um tifo pequeno mas em alta definição. Com uma imagem demasiado definida para ser feita á mão. É um tifo diferente do nosso… sem suor dos membros, apenas dinheiro. Encomendaram e mostraram mais nada. Dou comigo a pensar se terá o mesmo valor que o nosso mesmo que a imagem seja mais definida…
Para continuar esta noite em grande, começam-se a acender as tochas. São dezenas nas mãos dos ultras ali presentes, o que faz com que eu so veja fumo á minha frente, mas que testemunhe um grande momento do movimento. Quando finalmente consigo ver alguma coisa, vejo a Policia a carregar sobre a nossa curva. Não sei o que aconteceu, mas apresso-me a subir a bancada e tentar saber mais informações sobre o sucedido.
Ao que parece um rapaz que estava na curva, resolveu atirar uma tocha contra um segurança e uma lata de coca-cola. Assobios no estádio… noite estragada. A noite que eu e milhares de ultra sonhámos… fora arruinada por apenas uma pessoa! É certo que nas cargas policiais nem sempre as claques são o culpado mas desta vez, foi uma pessoa que estava ali que incitou á bastonada.
Será que ele era mesmo da claque? Ou era um parasita? A claque é culpada deste incidente ou não podia ter feito nada? A verdade é que a noite foi arruinada por mau comportamento de apenas uma pessoa. Mas amanha nos telejornais culparão o meu grupo de desacatos, falarão mal de todas as claques. É normal… mas triste…
Reflictam : o que devemos fazer para evitar isto? Sempre foi assim? É justo culpar a claque toda? Fica ao vosso critério.